
A ABRAZ tem a missão de ser um núcelo central de todos aqueles envolvidos com a doença de Alzheimer e outras demências, reunindo familiares, cuidadores e profissionais, oferecendo meios de atualização, permitindo intercâmbio e apoiando ações voltadas ao bem-estar do portador, da família, do cuidador e do profissional.
segunda-feira, 1 de agosto de 2011
segunda-feira, 2 de maio de 2011
Alzheimer, pelo paciente.
Médico americano conta o processo de desenvolvimento da doença, dos sintomas ao diagnóstico, e como sua rotina mudou.
ARTHUR RIVIN
Sou médico aposentado e professor de medicina. E tenho Alzheimer. Antes do meu diagnóstico, estava familiarizado com a doença, tratando pacientes com Alzheimer durante anos. Mas demorei para suspeitar da minha própria aflição.
Hoje, sabendo que tenho a doença, consegui determinar quando ela começou, há 10 anos, quando estava com 76. Eu presidia um programa mensal de palestras sobre ética médica e conhecia a maior parte dos oradores. Mas, de repente, precisei recorrer ao material que já estava preparado para fazer as apresentações. Comecei então a esquecer nomes, mas nunca as fisionomias. Esses lapsos são comuns em pessoas idosas, de modo que não me preocupei.
Nos anos seguintes, submeti-me a uma cirurgia das coronárias e mais tarde tive dois pequenos derrames cerebrais. Meu neurologista atribuiu os meus problemas a esses derrames, mas minha mente continuou a deteriorar. O golpe final foi há um ano, quando estava recebendo uma menção honrosa no hospital onde trabalhava. Levantei-me para agradecer e não consegui dizer uma palavra sequer.
Minha mulher insistiu para eu consultar um médico. Meu clínico-geral realizou uma série de testes de memória em seu consultório e pediu depois uma tomografia PET, que diagnostica a doença com 95% de precisão. Comecei a ser medicado com Aricept, que tem muitos efeitos colaterais. Eu me ressenti de dois deles: diarreia e perda de apetite. Meu médico insistiu para eu continuar. Os efeitos colaterais desapareceram e comecei a tomar mais um medicamento, Namenda. Esses remédios, em muitos pacientes, não surtem nenhum efeito. Fui um dos raros felizardos.
Em dois meses, senti-me muito melhor e hoje quase voltei ao normal. Demoramos muito tempo para compreender essa doença desde que Alois Alzheimer, médico alemão, estabeleceu os primeiros elos, no início do século 20, entre a demência e a presença de placas e emaranhados de material desconhecido.
Hoje sabemos que esse material é o acúmulo de uma proteína chamada beta-amiloide. A hipótese principal para o mecanismo da doença de Alzheimer é que essa proteína se acumula nas células do cérebro, provocando uma degeneração dos neurônios. Hoje, há alguns produtos farmacêuticos para limpar essa proteína das células.
No entanto, as placas de amiloide podem ser detectadas apenas numa autópsia, de modo que são associadas apenas com pessoas que desenvolveram plenamente a doença. Não sabemos se esses são os primeiros indicadores biológicos da doença.
Mas há muitas coisas que aprendemos. A partir da minha melhora, passei a fazer uma lista de insights que gostaria de compartilhar com outras pessoas que enfrentam problemas de memória: tenha sempre consigo um caderninho de notas e escreva o que deseja lembrar mais tarde.
Quando não conseguir lembrar de um nome, peça para que a pessoa o repita e então escreva. Leia livros. Faça caminhadas. Dedique-se ao desenho e à pintura.
Pratique jardinagem. Faça quebra-cabeças e jogos. Experimente coisas novas. Organize o seu dia. Adote uma dieta saudável, que inclua peixe duas vezes por semana, frutas e legumes e vegetais, ácidos graxos ômega 3.
Não se afaste dos amigos e da sua família. É um conselho que aprendi a duras penas. Temendo que as pessoas se apiedassem de mim, procurei manter a minha doença em segredo e isso significou me afastar das pessoas que eu amava. Mas agora me sinto gratificado ao ver como as pessoas são tolerantes e como desejam ajudar.
A doença afeta 1 a cada 8 pessoas com mais de 65 anos e quase a metade dos que têm mais de 85. A previsão é de que o número de pessoas com Alzheimer nos EUA dobre até 2030.
Sei que, como qualquer outro ser humano, um dia vou morrer. Assim, certifiquei-me dos documentos que necessitava examinar e assinar enquanto ainda estou capaz e desperto, coisas como deixar recomendações por escrito ou uma ordem para desligar os aparelhos quando não houver chance de recuperação. Procurei assegurar que aqueles que amo saibam dos meus desejos. Quando não souber mais quem sou, não reconhecer mais as pessoas ou estiver incapacitado, sem nenhuma chance de melhora, quero apenas consolo e cuidados paliativos.
ARTHUR RIVIN FOI CLÍNICO-GERAL E É PROFESSOR EMÉRITO DA UNIVERSIDADE DA CALIFÓRNIA
Fonte: O Estado de São Paulo.
ARTHUR RIVIN
Sou médico aposentado e professor de medicina. E tenho Alzheimer. Antes do meu diagnóstico, estava familiarizado com a doença, tratando pacientes com Alzheimer durante anos. Mas demorei para suspeitar da minha própria aflição.
Hoje, sabendo que tenho a doença, consegui determinar quando ela começou, há 10 anos, quando estava com 76. Eu presidia um programa mensal de palestras sobre ética médica e conhecia a maior parte dos oradores. Mas, de repente, precisei recorrer ao material que já estava preparado para fazer as apresentações. Comecei então a esquecer nomes, mas nunca as fisionomias. Esses lapsos são comuns em pessoas idosas, de modo que não me preocupei.
Nos anos seguintes, submeti-me a uma cirurgia das coronárias e mais tarde tive dois pequenos derrames cerebrais. Meu neurologista atribuiu os meus problemas a esses derrames, mas minha mente continuou a deteriorar. O golpe final foi há um ano, quando estava recebendo uma menção honrosa no hospital onde trabalhava. Levantei-me para agradecer e não consegui dizer uma palavra sequer.
Minha mulher insistiu para eu consultar um médico. Meu clínico-geral realizou uma série de testes de memória em seu consultório e pediu depois uma tomografia PET, que diagnostica a doença com 95% de precisão. Comecei a ser medicado com Aricept, que tem muitos efeitos colaterais. Eu me ressenti de dois deles: diarreia e perda de apetite. Meu médico insistiu para eu continuar. Os efeitos colaterais desapareceram e comecei a tomar mais um medicamento, Namenda. Esses remédios, em muitos pacientes, não surtem nenhum efeito. Fui um dos raros felizardos.
Em dois meses, senti-me muito melhor e hoje quase voltei ao normal. Demoramos muito tempo para compreender essa doença desde que Alois Alzheimer, médico alemão, estabeleceu os primeiros elos, no início do século 20, entre a demência e a presença de placas e emaranhados de material desconhecido.
Hoje sabemos que esse material é o acúmulo de uma proteína chamada beta-amiloide. A hipótese principal para o mecanismo da doença de Alzheimer é que essa proteína se acumula nas células do cérebro, provocando uma degeneração dos neurônios. Hoje, há alguns produtos farmacêuticos para limpar essa proteína das células.
No entanto, as placas de amiloide podem ser detectadas apenas numa autópsia, de modo que são associadas apenas com pessoas que desenvolveram plenamente a doença. Não sabemos se esses são os primeiros indicadores biológicos da doença.
Mas há muitas coisas que aprendemos. A partir da minha melhora, passei a fazer uma lista de insights que gostaria de compartilhar com outras pessoas que enfrentam problemas de memória: tenha sempre consigo um caderninho de notas e escreva o que deseja lembrar mais tarde.
Quando não conseguir lembrar de um nome, peça para que a pessoa o repita e então escreva. Leia livros. Faça caminhadas. Dedique-se ao desenho e à pintura.
Pratique jardinagem. Faça quebra-cabeças e jogos. Experimente coisas novas. Organize o seu dia. Adote uma dieta saudável, que inclua peixe duas vezes por semana, frutas e legumes e vegetais, ácidos graxos ômega 3.
Não se afaste dos amigos e da sua família. É um conselho que aprendi a duras penas. Temendo que as pessoas se apiedassem de mim, procurei manter a minha doença em segredo e isso significou me afastar das pessoas que eu amava. Mas agora me sinto gratificado ao ver como as pessoas são tolerantes e como desejam ajudar.
A doença afeta 1 a cada 8 pessoas com mais de 65 anos e quase a metade dos que têm mais de 85. A previsão é de que o número de pessoas com Alzheimer nos EUA dobre até 2030.
Sei que, como qualquer outro ser humano, um dia vou morrer. Assim, certifiquei-me dos documentos que necessitava examinar e assinar enquanto ainda estou capaz e desperto, coisas como deixar recomendações por escrito ou uma ordem para desligar os aparelhos quando não houver chance de recuperação. Procurei assegurar que aqueles que amo saibam dos meus desejos. Quando não souber mais quem sou, não reconhecer mais as pessoas ou estiver incapacitado, sem nenhuma chance de melhora, quero apenas consolo e cuidados paliativos.
ARTHUR RIVIN FOI CLÍNICO-GERAL E É PROFESSOR EMÉRITO DA UNIVERSIDADE DA CALIFÓRNIA
Fonte: O Estado de São Paulo.
sábado, 23 de abril de 2011
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
Poesia "Memória"
Memória é canção que não termina
É desenho que não se apaga
Faces que não se foram
São coisas que moram no coração
São gestos de recordação
Memória é cor que não desbota
É como flor que brota
Voz que não sai do ouvido
Histórias que não perderam o sentido
Memória é tudo o que se vive
É lembrança de criança
Que dá esperança
Quando hoje a palavra não alcança
Memória é distração e esquecimento
Repetição sem compreensão
Estoque de informação
É a linha dos pensamentos
É armário de sentimentos.
Memória é o que faz o conhecimento existir
É a razão do reconhecer
Olhar pra você, lembrar e sorrir
É mente acordada, nítida e incorporada.
É buscar a imagem e não deixá-la fugir.
Elisandra Villela Gasparetto Sé - 04/09/2008
É desenho que não se apaga
Faces que não se foram
São coisas que moram no coração
São gestos de recordação
Memória é cor que não desbota
É como flor que brota
Voz que não sai do ouvido
Histórias que não perderam o sentido
Memória é tudo o que se vive
É lembrança de criança
Que dá esperança
Quando hoje a palavra não alcança
Memória é distração e esquecimento
Repetição sem compreensão
Estoque de informação
É a linha dos pensamentos
É armário de sentimentos.
Memória é o que faz o conhecimento existir
É a razão do reconhecer
Olhar pra você, lembrar e sorrir
É mente acordada, nítida e incorporada.
É buscar a imagem e não deixá-la fugir.
Elisandra Villela Gasparetto Sé - 04/09/2008
domingo, 27 de fevereiro de 2011
DIFICULDADES COGNITIVAS: COMO AGIR? 27/02/2011
DIFICULDADES COGNITIVAS: COMO AGIR? Data: 27/02/2011.
Por Elisandra Villela Gasparetto Sé
Neste artigo ainda continuarei a descrever as diferentes estratégias operacionais para o cuidador lidar com as alterações cognitivas do paciente com a Doença de Alzheimer. Entendendo estratégias como sendo instruções globais para cada escolha feita no curso da ação. Para cada dificuldade cognitiva apresentada pelo paciente é possível lançar mão de maneiras flexíveis de enfrentar os sintomas da doença. Veremos como lidar com os objetos e pertences em casa, questões de estimulação na realização de tarefas e orientação espacial e temporal.
Quando o paciente com doença de Alzheimer não reconhece referências visuais da sua casa, não identificando alguns objetos como sendo dela, ou que não sabia que tal objeto estava naquele determinado lugar, isto pode estar relacionado às dificuldades de orientação temporal e muitas vezes a memória remota que está mais preservada, reforça a associação que pessoa faz de algo ou vivências do passado. Nestes casos é importante que o cuidador não contrarie o paciente, sugere-se que tente identificar a imagem do objeto que ele faz no momento. Não mude constantemente móveis do lugar e ofereça referências na casa enfatizando que aqueles móveis ou objetos são seus. Costuma-se orientar as famílias para que utilize fotografias e pertences pessoais nos ambientes para que a pessoa possa reconhecer. Um ambiente deve assegurar familiaridade para ser reconhecido. Mantenha os alimentos para o horário do café, refeições, lanche em locais disponíveis e ao alcance, controlando a quantidade de alimentos a ser consumido, para evitar exageros. É importante adotar horários regulares para as refeições e procure colocar o paciente para participar da preparação das refeições e/ou arrumação da mesa e louças.
Quando a pessoa com demência não lembra onde guardou objetos e onde estão seus pertences, como por exemplo não lembrar o que é roupa e não saber onde fica a roupa e sugere-se que o cuidador familiar utilize identificações visuais nas portas dos móveis, armários, guarda-roupas, etiquetas nas gavetas. Esse recurso pode ajudar na independência do paciente. É importante conversar sempre com a pessoa portadora da doença de Alzheimer quando for identificar objetos ou ambientes, dizendo o nome e para que serve, essa atitude estimula a memória e a linguagem.
Quanto à dificuldade de orientação temporal, o paciente pode não ser capaz de orientar-se no tempo e acaba negligenciando os relógios da casa, portanto é necessário adotar uma rotina e horários regulares para medicações, alimentação, banho, higiene, passeio, etc... Pode utilizar um caderno para anotações diárias das alterações do sono durante a noite, mudanças de comportamento, mudanças na linguagem, para informar o médico e profissionais que o acompanham sobre as consequências dessas mudanças e quais medidas deverão ser tomadas. Utilize um calendário grande que seja possível anotar as atividades e compromissos da vida diária. Nomeie objetos que a pessoa utiliza sozinha com segurança, por exemplo, vassoura, escova de cabelo, escova de dente. Arrume as roupas na ordem em que serão vestidas para estimular o máximo de independência. Use sempre espelho para que o paciente mantenha sua referência e imagem corporal.
Com relação às atividades ocupacionais e artísticas, tarefas manuais e de artesanato, é fundamental manter uma sequência das tarefas para que a atividade não se torne frustrante. Estimule o paciente a iniciar atividades manuais menos estruturadas e com menos procedimentos a seguir. Ajude a manter o controle e a persistência nas tarefas e reconheça quando ela realizar a atividade de forma correta. Quando o paciente não se lembrar de realizou aquela tarefa, pode fornecer pistas colocando a data e o nome sobre o trabalho, o que ajuda a dar referência para a memória. Motive a pessoa a realizar a atividade como forma de presentear um amigo ou familiar, a confecção do material ou objeto envolvendo afeto reforça a realização da tarefa. Evite ajudar quando não for necessário para não contribuir com a dependência.
Como já foi mencionado nesta coluna, salientamos que numa fase inicial da doença de Alzheimer, a vida pode ser levada de um modo normal, como necessidade apenas de adaptações estimulações, cuidados com segurança, uso de agendas, uso de estratégias para a melhor ação no cuidado com o paciente com demência.
Data: 27 de fevereiro de 2011
Por Elisandra Villela Gasparetto Sé
Neste artigo ainda continuarei a descrever as diferentes estratégias operacionais para o cuidador lidar com as alterações cognitivas do paciente com a Doença de Alzheimer. Entendendo estratégias como sendo instruções globais para cada escolha feita no curso da ação. Para cada dificuldade cognitiva apresentada pelo paciente é possível lançar mão de maneiras flexíveis de enfrentar os sintomas da doença. Veremos como lidar com os objetos e pertences em casa, questões de estimulação na realização de tarefas e orientação espacial e temporal.
Quando o paciente com doença de Alzheimer não reconhece referências visuais da sua casa, não identificando alguns objetos como sendo dela, ou que não sabia que tal objeto estava naquele determinado lugar, isto pode estar relacionado às dificuldades de orientação temporal e muitas vezes a memória remota que está mais preservada, reforça a associação que pessoa faz de algo ou vivências do passado. Nestes casos é importante que o cuidador não contrarie o paciente, sugere-se que tente identificar a imagem do objeto que ele faz no momento. Não mude constantemente móveis do lugar e ofereça referências na casa enfatizando que aqueles móveis ou objetos são seus. Costuma-se orientar as famílias para que utilize fotografias e pertences pessoais nos ambientes para que a pessoa possa reconhecer. Um ambiente deve assegurar familiaridade para ser reconhecido. Mantenha os alimentos para o horário do café, refeições, lanche em locais disponíveis e ao alcance, controlando a quantidade de alimentos a ser consumido, para evitar exageros. É importante adotar horários regulares para as refeições e procure colocar o paciente para participar da preparação das refeições e/ou arrumação da mesa e louças.
Quando a pessoa com demência não lembra onde guardou objetos e onde estão seus pertences, como por exemplo não lembrar o que é roupa e não saber onde fica a roupa e sugere-se que o cuidador familiar utilize identificações visuais nas portas dos móveis, armários, guarda-roupas, etiquetas nas gavetas. Esse recurso pode ajudar na independência do paciente. É importante conversar sempre com a pessoa portadora da doença de Alzheimer quando for identificar objetos ou ambientes, dizendo o nome e para que serve, essa atitude estimula a memória e a linguagem.
Quanto à dificuldade de orientação temporal, o paciente pode não ser capaz de orientar-se no tempo e acaba negligenciando os relógios da casa, portanto é necessário adotar uma rotina e horários regulares para medicações, alimentação, banho, higiene, passeio, etc... Pode utilizar um caderno para anotações diárias das alterações do sono durante a noite, mudanças de comportamento, mudanças na linguagem, para informar o médico e profissionais que o acompanham sobre as consequências dessas mudanças e quais medidas deverão ser tomadas. Utilize um calendário grande que seja possível anotar as atividades e compromissos da vida diária. Nomeie objetos que a pessoa utiliza sozinha com segurança, por exemplo, vassoura, escova de cabelo, escova de dente. Arrume as roupas na ordem em que serão vestidas para estimular o máximo de independência. Use sempre espelho para que o paciente mantenha sua referência e imagem corporal.
Com relação às atividades ocupacionais e artísticas, tarefas manuais e de artesanato, é fundamental manter uma sequência das tarefas para que a atividade não se torne frustrante. Estimule o paciente a iniciar atividades manuais menos estruturadas e com menos procedimentos a seguir. Ajude a manter o controle e a persistência nas tarefas e reconheça quando ela realizar a atividade de forma correta. Quando o paciente não se lembrar de realizou aquela tarefa, pode fornecer pistas colocando a data e o nome sobre o trabalho, o que ajuda a dar referência para a memória. Motive a pessoa a realizar a atividade como forma de presentear um amigo ou familiar, a confecção do material ou objeto envolvendo afeto reforça a realização da tarefa. Evite ajudar quando não for necessário para não contribuir com a dependência.
Como já foi mencionado nesta coluna, salientamos que numa fase inicial da doença de Alzheimer, a vida pode ser levada de um modo normal, como necessidade apenas de adaptações estimulações, cuidados com segurança, uso de agendas, uso de estratégias para a melhor ação no cuidado com o paciente com demência.
Data: 27 de fevereiro de 2011
DIFICULDADES COGNITIVAS DA PESSOA COM DOENÇA DE ALZHEIMER: COMO AGIR?
Por Elisandra Villela Gasparetto Sé
Algumas estratégias e medidas podem ser adotadas pelos cuidadores familiares para lidarem melhor com as dificuldades cognitivas apresentadas pelos pacientes com doença de Alzheimer. Essas estratégias implementadas pelos familiares possibilitam a autonomia do idoso, facilita o cuidado e ajuda no manejo dos sintomas e limitações da doença.
Numa fase inicial da doença a vida pode ser levada de forma normal, com necessidades apenas de adaptações para a dificuldade principalmente de memória. Isto significa que a pessoa com doença de Alzheimer pode ter uma vida independente nesta fase, desde que haja uma boa supervisão e o familiar seja bem informado sobre os processos e sintomas da doença.
Juntamente com os problemas de memória podem ocorrer as dificuldades de “funções executivas”, que são funções cognitivas relacionadas à capacidade de planejamento, abstração, tais como tomar decisões, organização de objetos e pertences, administrar finanças, lidar com o dinheiro quando for comprar algo, planejar gastos, dirigir o veículo. Quando estas capacidades estão prejudicadas e existe mais a perda de memória, isto causa um impacto no dia-a-dia do cuidador e conseqüentemente um desgaste por não saber lidar com essas questões. Mas o fato de haver comprometimento nestas áreas não significa, necessariamente, que o paciente perca sua independência, as alternativas e estratégias compensatórias e dicas para lidar com as dificuldades podem ser utilizadas pela família com supervisão.
Com relação às finanças, o primeiro passo é verificar se de fato está havendo problemas em relação ao dinheiro, para isso é importante verificar se a pessoa está tendo dificuldade em ter noção dos preços das coisas, se é capaz de fazer estimativas sobre o valor de várias coisas que costuma comprar, se as contas estão sendo pagas de forma correta e dentro do prazo, se está administrando adequadamente o orçamento domiciliar, se mantém o mesmo padrão de sempre. Caso esteja ocorrendo dificuldades em algumas dessas situações, será necessário tomar algumas iniciativas e medidas de segurança quanto ao controle das finanças. Nestes casos é preciso tomar cuidados com as falhas próprias da pessoa, como por exemplo, esquecer de pagar uma conta ou comprar a mesma mercadoria numa mesma semana, ou comprar um determinado produto em excesso, como também torna-se necessário tomar medidas preventivas e cautelosas quanto ao abuso que existe com pessoas idosas em relação ao dinheiro.
Os passos essenciais que os cuidadores familiares devem seguir, inclui as seguintes: no caso de perda de noção de preço, certificar que sempre haja um acompanhante ao realizar as compras, ou que sejam realizadas em locais confiáveis.
Caso haja atraso no pagamento de contas, colocar as contas em débito automático é um boa opção, fazer um calendário das contas e anotar em agendas também torna-se necessário. No dia do pagamento avisar a pessoa que ela mesmo a pague, uma vez que a manutenção de atividades auxilia na autonomia e na qualidade de vida da pessoa com a doença de Alzheimer e também como auxílio ao tratamento, caso isso não seja possível o pagamento deve ser feito por outra pessoa. Devem ser investigados se está ocorrendo gastos extras sem causa, se não está havendo empréstimos sem que outros membros da família saibam. Como existe a perda da memória é muito comum no paciente com doença de Alzheimer em fase leve pode ocorrer de fazerem empréstimos e esquecer, causando o desequilíbrio das contas. Outras situações são os vendedores a domicílio que acabam por vender produtos variados várias vezes para a pessoa.
Para a pessoa com a doença de Alzheimer em fase inicial e com consciência da sua condição clínica é muito difícil e muito impactante a retirada abrupta do simples controle das finanças da sua casa. Uma estratégia é contornar as dificuldades com supervisão e co-gestão, transformando as contas em contas conjuntas que lhe permite o controle mais próximo da movimentação do dinheiro. Outra dica é assumir a responsabilidade pelos pagamentos maiores, deixando os pequenos gastos por conta da pessoa. Assim, o dinheiro é liberado em pequenas quantidades e não causa transtornos no controle dos gastos. Nos casos de resistência da pessoa idosa, e em casos em que a doença esteja mais avançada é necessário a tomada de atitudes legais, mas isso requer um planejamento criterioso por parte da família e do médico que realiza o seguimento clínico.
Por Elisandra Villela Gasparetto Sé
Algumas estratégias e medidas podem ser adotadas pelos cuidadores familiares para lidarem melhor com as dificuldades cognitivas apresentadas pelos pacientes com doença de Alzheimer. Essas estratégias implementadas pelos familiares possibilitam a autonomia do idoso, facilita o cuidado e ajuda no manejo dos sintomas e limitações da doença.
Numa fase inicial da doença a vida pode ser levada de forma normal, com necessidades apenas de adaptações para a dificuldade principalmente de memória. Isto significa que a pessoa com doença de Alzheimer pode ter uma vida independente nesta fase, desde que haja uma boa supervisão e o familiar seja bem informado sobre os processos e sintomas da doença.
Juntamente com os problemas de memória podem ocorrer as dificuldades de “funções executivas”, que são funções cognitivas relacionadas à capacidade de planejamento, abstração, tais como tomar decisões, organização de objetos e pertences, administrar finanças, lidar com o dinheiro quando for comprar algo, planejar gastos, dirigir o veículo. Quando estas capacidades estão prejudicadas e existe mais a perda de memória, isto causa um impacto no dia-a-dia do cuidador e conseqüentemente um desgaste por não saber lidar com essas questões. Mas o fato de haver comprometimento nestas áreas não significa, necessariamente, que o paciente perca sua independência, as alternativas e estratégias compensatórias e dicas para lidar com as dificuldades podem ser utilizadas pela família com supervisão.
Com relação às finanças, o primeiro passo é verificar se de fato está havendo problemas em relação ao dinheiro, para isso é importante verificar se a pessoa está tendo dificuldade em ter noção dos preços das coisas, se é capaz de fazer estimativas sobre o valor de várias coisas que costuma comprar, se as contas estão sendo pagas de forma correta e dentro do prazo, se está administrando adequadamente o orçamento domiciliar, se mantém o mesmo padrão de sempre. Caso esteja ocorrendo dificuldades em algumas dessas situações, será necessário tomar algumas iniciativas e medidas de segurança quanto ao controle das finanças. Nestes casos é preciso tomar cuidados com as falhas próprias da pessoa, como por exemplo, esquecer de pagar uma conta ou comprar a mesma mercadoria numa mesma semana, ou comprar um determinado produto em excesso, como também torna-se necessário tomar medidas preventivas e cautelosas quanto ao abuso que existe com pessoas idosas em relação ao dinheiro.
Os passos essenciais que os cuidadores familiares devem seguir, inclui as seguintes: no caso de perda de noção de preço, certificar que sempre haja um acompanhante ao realizar as compras, ou que sejam realizadas em locais confiáveis.
Caso haja atraso no pagamento de contas, colocar as contas em débito automático é um boa opção, fazer um calendário das contas e anotar em agendas também torna-se necessário. No dia do pagamento avisar a pessoa que ela mesmo a pague, uma vez que a manutenção de atividades auxilia na autonomia e na qualidade de vida da pessoa com a doença de Alzheimer e também como auxílio ao tratamento, caso isso não seja possível o pagamento deve ser feito por outra pessoa. Devem ser investigados se está ocorrendo gastos extras sem causa, se não está havendo empréstimos sem que outros membros da família saibam. Como existe a perda da memória é muito comum no paciente com doença de Alzheimer em fase leve pode ocorrer de fazerem empréstimos e esquecer, causando o desequilíbrio das contas. Outras situações são os vendedores a domicílio que acabam por vender produtos variados várias vezes para a pessoa.
Para a pessoa com a doença de Alzheimer em fase inicial e com consciência da sua condição clínica é muito difícil e muito impactante a retirada abrupta do simples controle das finanças da sua casa. Uma estratégia é contornar as dificuldades com supervisão e co-gestão, transformando as contas em contas conjuntas que lhe permite o controle mais próximo da movimentação do dinheiro. Outra dica é assumir a responsabilidade pelos pagamentos maiores, deixando os pequenos gastos por conta da pessoa. Assim, o dinheiro é liberado em pequenas quantidades e não causa transtornos no controle dos gastos. Nos casos de resistência da pessoa idosa, e em casos em que a doença esteja mais avançada é necessário a tomada de atitudes legais, mas isso requer um planejamento criterioso por parte da família e do médico que realiza o seguimento clínico.
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